OZU


Tem aquela história
Novembro 4, 2006, 6:30 pm
Arquivado em: Escuta

que o Kronos Quartet marcou uma performance do Quarteto #2 de Feldman. Marcaram, saiu na programação de algum festival e tal. Aí, quando começaram a ensaiar, se deram conta de que não iam agüentar. Que não ia dar certo, que eles não tinham força pra executar o negócio. O Kronos Quartet! Caralho. Feldman nessa época tava numa viagem de duração que era hostil mesmo. Era bem tipo teste moral. Tipo Vamos ver, pessoal, vamos ver até onde a gente consegue ir com isso aqui. Porque Cage tem um ou outro experimento de longa duração, mas a coisa com Cage logo descamba pra um outro terreno. E, no caso de Feldman, é música. Música mesmo.

Tem outra história com Feldman que eu gosto que é de uma mesa-redonda que ele teve com o Xenakis. Eu sempre imagino o Feldman como sendo um sujeito que contrasta com a própria arte. A música dele é quieta e intensa, mas ele era, dizem, tipo um urso branco numa ópera bufa, uma opereta escrita por um Beckett mais divertido e mais chapado. Então Feldman tá lá na mesa-redonda, isso era tipo meados dos anos 80, e Xenakis também. Xenakis eu já acho que era o tipo do músico cri-cri, cheio de filosofemas e metafísicas da música e do universo e tal. Aí, tem uma hora que Xenakis pergunta pro Feldman se ele tinha gostado da performance da noite anterior. Feldman diz que nem gostou nem não gostou. Xenakis diz Como assim? e Feldman responde Não gostei nem não gostei. Aí, quando o Xenakis pressiona ele pra dizer algo mais ele enfim diz Ah, eu queria que eles respirassem juntos melhor, que contassem menos e respirassem mais. Agora você ouve isso de qualquer um e diz Ah, merda New Age! mas você ouve isso de Feldman e, bom, faz sentido, né? Outro sentido, quer dizer. Tenho até uma foto que tiraram deles, é bonita, o Feldman tá falando alguma coisa na maior empolgação, cigarro na boca, e o Xenakis tá rindo, aqui, ó:

morton-iannis

 

(Uma origem aqui)


1 Comentário até o momento
Deixe um comentário

confesso que o Xenakis é difícil de engolir muitas vezes, especialmente nesta impressão que a música dele é sempre dependente de outra coisa, sei lá, os filosofemas, é boa música, mas não é como o Feldman, ou mesmo o Pärt, de quem a música se liga muito à religiosidade e tal, mas é de plena fruição, sem precisar da bagagem religiosa ou nova eristica como alguns tentam.

Antes de meu pc me abandonar e levar tudo que acumulei durante coisa de ano e meio, tinha encontrado algumas entrevistas do feldman, textos e audio – gone baby gone. Encontrarei novamente.

Comentário por marcusvmm




Deixe um comentário
Linhas e parágrafos quebram automaticamente, endereços de email não serão mostrados, HTML permitido: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>