são duas coisas na verdade. Uma é um lance que acho que li em Borges, que é mais ou menos o seguinte: se você encontra a dicção de um personagem, de um sujeito, se você dá conta da fala do cara, tipo “Ah, Fulano fala assim, Fulano fala assado” então pronto, taí: Borges, digamos que foi Borges porque eu realmente não lembro e, na dúvida, a gente sempre pode atribuir as citações a Borges que no final dá certo, então Borges, que gosta dessa coisa que é meio brega mas, enfim, o que ele diz é que aí, nessa voz, você encontra um destino. Na fala, um destino. Isso, bom, nem precisa acreditar em destino pra dar valor a isso.
Então isso é uma coisa. A outra coisa é a história do cara que tem um livro que ele tá o tempo todo escrevendo e que Mitchell até persegue um tempo, porque ele acredita que tem mesmo um livro, um projeto de livro, inclusive porque o cara sempre andava com uma pastinha meio suja, com uns manuscritos, uns papéis. E Mitchell também era crédulo, era bondoso, parte do negócio dele era mesmo acreditar. Bom, esse livro aí, que no final a gente descobre que não tinha livro nenhum, nunca houve livro nenhum, assim, do ponto de vista material, nada, era um livro só de desejo, o título desse livro era um negócio tipo “Uma História Oral do Universo”, ou “Uma História Oral da Cidade de Nova York”, uma coisa assim, imagine. Esse caso é um problema interessante de história literária porque Mitchell [...]. Então tem aquele momento lindo em que ele diz “Mas nunca foi uma questão de preguiça”.

(Uma origem aqui)
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sim, nunca foi questão de preguiça!
Comentário de Marcus Outubro 29, 2007 @ 3:03 amna dúvida, a gente sempre pode atribuir as citações a Borges que no final dá certo
BTW, essa citação é de Borges? Vou incorporar.
Comentário de tiago a. Outubro 29, 2007 @ 11:27 amAté prova em contrário, todas as citações nesse blog ou são de Borges ou não.
Comentário de antoniomarcospereira Outubro 29, 2007 @ 12:39 pmGostei
Comentário de Simon Outubro 31, 2007 @ 12:27 pmAté que se prove o contrário, todas as citações, direta ou indiretamente, são citações de Pierre Menard… da mesma forma que esse papo de destino é coisa de porco facista.
Comentário de Clara Novembro 3, 2007 @ 3:27 pmAntonio; bonito mesmo. Repleto de detalhes, marcas de oralidade (é assim mesmo que se diz?) que dão ao post um charme que é só seu. Você continua sendo meu escritor predileto.
Comentário de Fabíola Novembro 7, 2007 @ 10:13 amantonio marcos,
Comentário de Tiago Araripe Abril 28, 2008 @ 10:05 pmestou retribuindo a visita. sou também um admirador do cinema japonês. admito pouco conhecer de yasugiro ozu. mas já vi quase todos os filmes de kurosawa, de quem sou grande admirador. abraço.