Arquivado em: Ozu
umas coisas que ele escreveu, um bilhetinho que tinha escrito watching shadows I saw the lonely nigga with sunglasses wandering through the streets, it felt like a mirror. Um papelzinho miserável, ele tinha esse hábito de escrever em qualquer lugar pra passar o tempo, andava com um caderninho na mão. Quantas vezes marquei um encontro com ele e quando chegava lá estava ele, com o caderninho, escrevendo. Lembrei do poema que ele dobrou e colocou na carteira, dez anos depois ainda tava lá, uma folhinha dobrada em quatro, gasta na dobra, quase se esfacelando, com o poema batido à máquina. Bons tempos.
Essas coisas, pensei, nunca fazem parte da Obra. Bilhetinhos, mensagens, os mil e uns restinhos verbais que a gente deixa pra trás. É só memória, abundante e volátil, vai tudo sumir. Mas que às vezes é bonito é.

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o Mariás é também sobre estas coisas, aquilo que não cabe na Obra, o que desvanece e não deixa vestígios, ou quase nenhum, por aí.
Comentário de Marcus Novembro 9, 2007 @ 10:50 amAcabo de eleger o melhor livro que li em 2007. Passa lá no LIBRU LUMEN e deixa um comentário dizendo o teu. Dica: Só pode ser um.
1 abraço e feliz 2008.
Comentário de Jefferson Luiz Dezembro 30, 2007 @ 12:21 amHello!
If you would like a transcript of theOprah/Cormac Interview…please leave your e-mail address on my blog…at a recent post…so I can find it and send it to you.
Always wonderful to meet another McCarthy fan!
Cheers,
Comentário de Candy Minx Janeiro 15, 2008 @ 11:01 pmCandy…hope you like Suttree….I was just in Knoxville visiting locations of thenovel…