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que encontrava com Georges Perec: era um menininho adorável, de uns três anos e chorava, coitado, chorava muito. Eu tentava acalmar ele, pegava ele no braço, comprava um docinho pra ele, comprava um livrinho pra ele pintar. Aí ele se acalmava, a gente ia andando na rua e num instante a gente chegava ali naquele parquinho, ali em Washington Heights, é, ali onde eu morava, perto da biblioteca, isso, ali na pracinha. Mas tava tudo na paz, ele ficava brincando quietinho, todo felisberto no tobogan e eu ficava pensando “Ah, eu sou um fudido, não sirvo para nada, não fiz nada que preste na vida, mas vou cuidar desse menino direitinho, vou servir para cuidar dele sim, ninguém vai fazer mal a ele, ninguém”. Aí começava a chover, eu dizia “Vamos, Georges, vamos pra casa”, pegava ele pela mão e a gente ia assim andando e aí eu olhava praqueles prédios enormes que tem lá e pensava “Meu deus e agora? Quem disse que eu lembro onde é que a gente mora?”

(Uma origem aqui)
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num rio incerto que dizem que me leva da recordação à voz, ele disse.
Eu, quando o li, quis dizer o mesmo, ou quase isso, ou pelo menos algo assim. Será que é sempre assim que a gente começa?, pensei, Invejando e desejando o que é dos outros? Coisa feia! Ainda mais porque, em um certo sentido, isso já é meu, já me pertence. Já li, já fui contaminado, não sou mais o de antes, então um trabalho de apropriação já houve sim, já há inúmeros metabolismos dessa frase que vão acontecer na fisiologia de minha leitura futura. Então qual é o caso?
Não sei responder. O que, imagino, é parte da graça. E também parte da gravidade, parte da razão e do sentido e da causa desse exercício de empenho, de solicitação, de solidão e de gregarismo.

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Por volta de 1976, creio, na Cidade do México, em uma foto sem crédito provavelmente retirada do álbum privado de algum deles: Bolaño-Belano junto com os demais Infrarrealistas/ Real-visceralistas:

Em 1995, em Caracas, Bolaño, já famoso e original, em foto do também famoso e original Vasco Szinetar:

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é Em Distâncias Circulares Me Precipito: foi publicado na Polônia, em 1921. Zitman escreveu o texto, em Ídishe, e Brauner fez as gravuras. O que impressiona, além desse título, é o quanto o livro destoa de coisas semelhantes publicadas na época. Aqui, nada é organizado. Ou melhor, tudo parece obedecer a um princípio de ordenação que a gente ignora. Veja que nem as letras são do mesmo tamanho. E as cores, então? Há uma desobediência, a estrutura ordinária parece estar saindo do compasso. E no entanto, olhe só o mérito da bibliofilia judaica, conseguiram publicar. Fizeram o livro.
Fico pensando neles trabalhando, concebendo o projeto, levando adiante a idéia; sempre imagino que eles tinham um caso. E esse título, que título é esse? Me lembrei daquela frase de Berditchevsky. Nossa. Mas foi só uma edição, 200 exemplares, quase nenhum existe mais hoje, obviamente.

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culpo sim o Bolaño: voltar a fumar, ficar que nem louco assim noite afora, insone, fumando, com esses livros, tudo isso só depois que você leu o livro dele, inventou essas histórias, é sim. Fica ouvindo esse Lucho Gatica, Bola de Nieve, rapaz ninguém aqui agüenta mais isso não. A música é boa mas demais também enche o saco. Você parece que decidiu pirar, porra. Pirar não se decide assim não. Você não é Robert Walser não. Eu sei que você tá triste e tudo, e tem até motivo, tá, mas não é assim não. Assim você não vai pra lugar nenhum, muito menos sair daqui. Você nem termina de ler a porra dos livros mais, rapaz, eu sei, eu vejo. Tá.

