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podemos pensar que isso é muito pouco, que não dá uma história, que é café pequeno e, além do mais, que tudo que fizemos até agora é, podemos dizer, um esforço um pouco manco, pois passamos quase todo o tempo aqui na companhia dele e dela, afinal de contas, quase nada sabemos e, assim, se pensarmos que essa história, por força de, digamos, um zelo dialógico mínimo, ficaria sem dúvida mais interessante com a perspectiva dela, talvez fosse o caso de, dentre as mil maneiras que poderíamos esboçar para concluir essa narrativa, esquecendo, é claro, do quanto é problemática e mesmo pouco interessante essa concepção habitual de resolução, quem sabe se, indo por essa via, à guisa de conclusão, não poderíamos pensar os dois, não agora, mas um pouco adiante, e estarão, digamos, um diante do outro, e em um lugar agradável, proximidade do mar e música e um murmúrio discreto de coisas distantes e junto com isso todas as evocações que projetamos para esses momentos de enlevo e esquecimento e, embora estejamos no terreno do clichê estamos também no do desejo e também, é bom lembrar, estamos ainda produzindo essa história na qual nada terminou e, em um certo sentido, sequer chegou a começar mesmo e, assim, nessa cena também mínima ela, que, enfim, agora se mostra um pouco, estará, entre uma coisa e outra, se perguntando em que, afinal de contas, ele estará pensando, pois ela pensa que vê algo de impreciso e indefinido no olhar dele e há um certo silêncio também e, como nenhuma inquietação combina bem com esse momento de leveza e com a calma difusa e confortável que eles produziram e partilham, quando enfim ela decide perguntar o que ele estará pensando ele, que estará pensando exatamente nisso, responderá, com um sorriso, Nada, Amor.





